Faço metodicamente o mesmo caminho todos dos dias para chegar a Fatec: caminho até a praça da Sé, passo a catraca, ando até a escada rolante, viro à esquerda e ando até a antepenúltima entrada do vagão.
Geralmente espero pelo segundo trem, às vezes o metrô para por alguns momentos (problema em alguma estação) e demora um pouco mais. Esse foi um dia desses, o trens estavam parados por causa de algum acontecimento no metrô Vila Mariana, andei até o lugar de costume, antepenúltina faixa azul no chão. Observei que um guarda do metrô que parecia alterado, chegando mais perto, notei que estava parado frente a um senhor que segurava sua identidade e bilhete único.
Achei estranho e me postei logo atrás do senhor, como boa curiosa, tirei o fone de ouvido para ouvir melhor. Teria o senhor insultado o guarda? Tenho por costume ficar do lado de quem atende o público, sei como é ser insultada simplesmente por fazer o seu trabalho.
Não, o senhor não estava gritando, insultando ninguém, estava apenas meio alterado, bêbado talvez, mas inofensivo, acuado. O guarda porém, não parecia tão inofensivo, saí de trás do senhor, porque não queria ser atingida caso ele fosse agredido. No instante seguinte me arrependi.
O trem chegou e me senti a pessoa mais covarde do mundo, recoloquei o fone de ouvido e entrei, disposta a deixar meu silêncio de covardia para trás enquanto o guarda impedia a entrada do senhor no metrô.
Dois rapazes entraram comigo, pararam na minha frente e para a minha surpresa não fui a única indignada com o ocorrido, nem a única hipócrita.
- Quem ele acha que é? Não é nada, só um guardinha de metrô. E acha que pode sair por aí maltratando os outros, e se fosse o pai dele? Será que ele ia gostar de saber que o pai foi maltratado desse jeito?
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário