quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Senta aqui...

"Senta aqui...", ele me disse discretamente. Não notei que falava comigo.

"Você não quer sentar aqui?", ele me disse de novo, "não, não precisa", eu disse, são apenas 15 min até eu descer na estação perto da minha casa, já peguei esse trem tantas vezes que o tempo que passo de pé nem contam mais, faz parte do meu dia a dia, é como subir as escadas da minha casa, não cansa as minhas pernas, não é esforço algum.

"Senta aqui." e levantou, para ficar de pé na porta e nem me deu a chance de agradecer.
Impôs toda sua gentileza sobre mim, daquela forma que era de se esperar de um cavalheiro.

Mas eu nunca fui dama, não sei agir como uma dama, voltei o caminho inteiro pensando que estava tão gorda que ele achou que eu estava grávida.


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Yue x Julia

 
É engraçado como um cachorro é parecido com o dono.
 
 
Esse é o Yue, meu amor.
Meu pequeno grande cachorro, quase 10 anos, mas ainda gosto de pensar nele como um bebê.
Ele é assim, enorme, incapaz de machucar uma gata que sempre o ataca, só tem tamanho.
Mas não é assim de gostar de todo mundo, não gosta de quase ninguém a primeira vista, na verdade.
Primeiro, ele precisa gostar da sua cara, sentir seu cheiro, analisar se gostou de vc. Pra depois deixar vc passar a mão nele, sentar perto.
É assim simpatia não é pra todo mundo, mas quando ele gosta, gosta de verdade.
Até parece a dona.
 
 
 
 
A Julia, não era minha a princípio, mas eu a adotei.
Mas só de olhar é possível ver que ela tem aquela cara simpática de beagle.
Aquele jeito fácil de quem vai com todo mundo. Aquele jeito cativante de quem gosta de todo mundo, assim, de graça mesmo.
Um pouco carente e nada seletiva, aquele jeito de quem acha que as pessoas são boas e merecem confiança.
Ainda bem que ela tem o Yue pra ficar de olho nos estranhos.
 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Pessoas Capacho

Sim, elas existem.
Sim, um dia você já pisou numa delas e eu também.
Mas não se preocupe, elas não se importam.
E se elas não se importam, por que eu deveria me importar?
Não sei, mas eu sempre me pego querendo levá-las para casa, fazendo-as passar por um intensivo de como encarar a vida de frente. Esperando que elas comecem uma revolução (sim, eu queria começar uma revolução!).
Converso com elas, faço com que concordem que algo precisa mudar, mas nunca muda.
Digo a mim mesma que não é problema meu.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sobre o trabalho

Não, as pessoas não são obrigadas a gostar de mim.
É o que digo a mim mesma sempre que escuto um tom de chateação do outro lado da linha. Um resposta mal-criada. Um vira a cabeça pro outro lado quando eu sorrio para dar bom dia.
Não são obrigadas, assim como eu não gosto de muitas pessoas.
Mas, é o local de trabalho, as pessoas não estão lá para serem melhores amigas, combinar os fins de semana, fofocar. Estão lá para trabalhar, simples assim.
Bom, não tão simples. Aparentemente até para isso você precisa de algumas habilidades socias.

Há uma pessoa no meu departamento que nunca falou comigo. Nunca! Nem um bom dia pelo corredor.
Coisa que nunca me incomodou até que eu comecei a ser obrigada a interagir com ela em prol da empresa.
A sensação de desprezo é tão grande que começou a ser insuportável.
A cada menção do nome dele meu estômago revira, o ódio domina a minha serenidade.
Por que eu preciso cuidar dos assuntos de uma pessoa que nem se dá o trabalho de responder meus emails?
Por que uma pessoa que já escolheu sua secretária pessoal precisa do meu suporte?
Claro que meu chefe não sabe disso. Não tenho porque levar um assunto tão pessoal até ele.
Mas já virei e revirei meu cérebro em busca de qualquer coisa que me ajude a lembrar porque esse infeliz me ignora dessa forma e não achei um motivo.
Não sou, claro, a pessoa mais simpática de lá e muito menos a mais carismática. Mas, também não sou a mais burra e a mais estúpida.
Ok, vou dizer que isso é racismo.
Só me resta essa conclusão, já que ele não parece ter problemas em falar com outros seres humanos, outras mulheres e nem outras mulheres jovens.
Só pode ser porque eu sou japonesa.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pegando ônibus...

Já faz alguns anos, uns três mais ou menos, eu estudava japonês de manhã e depois ia para o trabalho. Sempre pegava o ônibus num ponto do lado da escola de japonês (sou uma criatura de hábitos) e, geralmente era a única pessoa a pegar ônibus naquele ponto, naquele horário. Mas naquele dia, havia, além de mim, um casal de idosos no ponto.
O ônibus se aproximou e eu fiz sinal, olhei em volta e era a única pessoa que fez sinal e ia subir no ônibus. Ele parou, e quando eu fui subir, a velha colocou as mãos nos meus ombros e, simplesmente, PUXOU-ME PARA FORA DO ÔNIBUS! Subiu no meu lugar e ficou parada na escada enchendo o motorista de perguntas.
Tenho por regra não perder meu tempo com os seres humanos sem educação que encontro pelas ruas desse planeta, mas naquele momento eu realmente queria jogar a "senhora" embaixo do ônibus e e pisar no acelerador (dar a ré depois e pisar no acelerador também, claro!)
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Em outra ocasião, a errada e sem coração fui eu, gostaria de dizer que foi um lapso, mas seria mentira, todos que convivem comigo sabem que raramente eu demonstro algum tipo de compaixão para/com as pessoas na rua.
Peguei um ônibus para a faculdade e caía uma tempestade. Não parou de chover durante todo o percurso.
Quando chegou a hora de descer, além de continuar chovendo, a avenida estava quase alagada e no ponto não havia cobertura, apenas o toldo de uma loja que já estava cheio de gente fugindo da chuva.
O motorista, muito gentil, parou rente a calçada e uma moça que estava na minha frente desceu, ou melhor, caiu do ônibus com a cara no chão. Cair já é ruim, com uma chuva torrencial em cima de você deve ser ainda pior. Nem parei para pensar no assunto passei por cima dela e continuei com a minha vida.
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Mais uma.
Estava voltando da faculdade, sentada confortavelmente no banco de idosos (às 23 da noite eles são raridades nos ônibus, banco de idoso com a presença de idoso no ônibus eu respeito!! ), a seis pontos da minha casa, quando dois rapazes levantaram e caminharam em direção a porta.
O ponto deles estava próximo e ambos estavam conversando, de repente, um deles desmaia e o outro o segura para não cair no chão. Um dos outros rapazes, que estava com eles sentado no fundo do ônibus, vê a situação e corre para a porta e pergunta o que aconteceu, o outro responde que o amigo simplesmente desmaiou.
Eu, ainda estava sentada.
Eles conseguiram acordar o amigo quando o ônibus parou no ponto. E desceram.
A única coisa que eu pensei foi: "espero que o motorista não resolva levar o menino até o hospital, vai demorar meia hora pra passar outro ônibus aqui".
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É, eu sempre me surpreendo a minha falta de vocação pra Madre Teresa. Mas eu admito isso na frente de quem for. Doações de fim de ano, trocadinhos pra meninos de rua, olhares de piedade não servem pra nada. Ajudar essas pessoas serviria, mas eu só pratico atos de caridade quando me convém. E eu não me sinto mal por isso. Muito pelo contrário, acho que as pessoas não fazem mais que a obrigação quando não estão atrapalhando a vida dos outros. Às vezes, parece que algumas pessoas adoram atrapalhar a vida dos outros. Parar no meio da escada para conversar, ocupar toda a calçada, segurar a fila porque o namorado está vindo, ouvir música alta no celular/ mp3 em qualquer ambiente.
Eu tento, de verdade relativizar, penso comigo mesma, todos têm direito a um dia ruim, um dia de "foda-se você". Mas parece que para alguns seres humanos esses dias nunca passam...