Já faz alguns anos, uns três mais ou menos, eu estudava japonês de manhã e depois ia para o trabalho. Sempre pegava o ônibus num ponto do lado da escola de japonês (sou uma criatura de hábitos) e, geralmente era a única pessoa a pegar ônibus naquele ponto, naquele horário. Mas naquele dia, havia, além de mim, um casal de idosos no ponto.
O ônibus se aproximou e eu fiz sinal, olhei em volta e era a única pessoa que fez sinal e ia subir no ônibus. Ele parou, e quando eu fui subir, a velha colocou as mãos nos meus ombros e, simplesmente, PUXOU-ME PARA FORA DO ÔNIBUS! Subiu no meu lugar e ficou parada na escada enchendo o motorista de perguntas.
Tenho por regra não perder meu tempo com os seres humanos sem educação que encontro pelas ruas desse planeta, mas naquele momento eu realmente queria jogar a "senhora" embaixo do ônibus e e pisar no acelerador (dar a ré depois e pisar no acelerador também, claro!)
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Em outra ocasião, a errada e sem coração fui eu, gostaria de dizer que foi um lapso, mas seria mentira, todos que convivem comigo sabem que raramente eu demonstro algum tipo de compaixão para/com as pessoas na rua.
Peguei um ônibus para a faculdade e caía uma tempestade. Não parou de chover durante todo o percurso.
Quando chegou a hora de descer, além de continuar chovendo, a avenida estava quase alagada e no ponto não havia cobertura, apenas o toldo de uma loja que já estava cheio de gente fugindo da chuva.
O motorista, muito gentil, parou rente a calçada e uma moça que estava na minha frente desceu, ou melhor, caiu do ônibus com a cara no chão. Cair já é ruim, com uma chuva torrencial em cima de você deve ser ainda pior. Nem parei para pensar no assunto passei por cima dela e continuei com a minha vida.
--Mais uma.
Estava voltando da faculdade, sentada confortavelmente no banco de idosos (às 23 da noite eles são raridades nos ônibus, banco de idoso com a presença de idoso no ônibus eu respeito!! ), a seis pontos da minha casa, quando dois rapazes levantaram e caminharam em direção a porta.
O ponto deles estava próximo e ambos estavam conversando, de repente, um deles desmaia e o outro o segura para não cair no chão. Um dos outros rapazes, que estava com eles sentado no fundo do ônibus, vê a situação e corre para a porta e pergunta o que aconteceu, o outro responde que o amigo simplesmente desmaiou.
Eu, ainda estava sentada.
Eles conseguiram acordar o amigo quando o ônibus parou no ponto. E desceram.
A única coisa que eu pensei foi: "espero que o motorista não resolva levar o menino até o hospital, vai demorar meia hora pra passar outro ônibus aqui".
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É, eu sempre me surpreendo a minha falta de vocação pra Madre Teresa. Mas eu admito isso na frente de quem for. Doações de fim de ano, trocadinhos pra meninos de rua, olhares de piedade não servem pra nada. Ajudar essas pessoas serviria, mas eu só pratico atos de caridade quando me convém. E eu não me sinto mal por isso. Muito pelo contrário, acho que as pessoas não fazem mais que a obrigação quando não estão atrapalhando a vida dos outros. Às vezes, parece que algumas pessoas adoram atrapalhar a vida dos outros. Parar no meio da escada para conversar, ocupar toda a calçada, segurar a fila porque o namorado está vindo, ouvir música alta no celular/ mp3 em qualquer ambiente.
Eu tento, de verdade relativizar, penso comigo mesma, todos têm direito a um dia ruim, um dia de "foda-se você". Mas parece que para alguns seres humanos esses dias nunca passam...
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