Não, as pessoas não são obrigadas a gostar de mim.
É o que digo a mim mesma sempre que escuto um tom de chateação do outro lado da linha. Um resposta mal-criada. Um vira a cabeça pro outro lado quando eu sorrio para dar bom dia.
Não são obrigadas, assim como eu não gosto de muitas pessoas.
Mas, é o local de trabalho, as pessoas não estão lá para serem melhores amigas, combinar os fins de semana, fofocar. Estão lá para trabalhar, simples assim.
Bom, não tão simples. Aparentemente até para isso você precisa de algumas habilidades socias.
Há uma pessoa no meu departamento que nunca falou comigo. Nunca! Nem um bom dia pelo corredor.
Coisa que nunca me incomodou até que eu comecei a ser obrigada a interagir com ela em prol da empresa.
A sensação de desprezo é tão grande que começou a ser insuportável.
A cada menção do nome dele meu estômago revira, o ódio domina a minha serenidade.
Por que eu preciso cuidar dos assuntos de uma pessoa que nem se dá o trabalho de responder meus emails?
Por que uma pessoa que já escolheu sua secretária pessoal precisa do meu suporte?
Claro que meu chefe não sabe disso. Não tenho porque levar um assunto tão pessoal até ele.
Mas já virei e revirei meu cérebro em busca de qualquer coisa que me ajude a lembrar porque esse infeliz me ignora dessa forma e não achei um motivo.
Não sou, claro, a pessoa mais simpática de lá e muito menos a mais carismática. Mas, também não sou a mais burra e a mais estúpida.
Ok, vou dizer que isso é racismo.
Só me resta essa conclusão, já que ele não parece ter problemas em falar com outros seres humanos, outras mulheres e nem outras mulheres jovens.
Só pode ser porque eu sou japonesa.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Pegando ônibus...
Já faz alguns anos, uns três mais ou menos, eu estudava japonês de manhã e depois ia para o trabalho. Sempre pegava o ônibus num ponto do lado da escola de japonês (sou uma criatura de hábitos) e, geralmente era a única pessoa a pegar ônibus naquele ponto, naquele horário. Mas naquele dia, havia, além de mim, um casal de idosos no ponto.
O ônibus se aproximou e eu fiz sinal, olhei em volta e era a única pessoa que fez sinal e ia subir no ônibus. Ele parou, e quando eu fui subir, a velha colocou as mãos nos meus ombros e, simplesmente, PUXOU-ME PARA FORA DO ÔNIBUS! Subiu no meu lugar e ficou parada na escada enchendo o motorista de perguntas.
Tenho por regra não perder meu tempo com os seres humanos sem educação que encontro pelas ruas desse planeta, mas naquele momento eu realmente queria jogar a "senhora" embaixo do ônibus e e pisar no acelerador (dar a ré depois e pisar no acelerador também, claro!)
--
Em outra ocasião, a errada e sem coração fui eu, gostaria de dizer que foi um lapso, mas seria mentira, todos que convivem comigo sabem que raramente eu demonstro algum tipo de compaixão para/com as pessoas na rua.
Peguei um ônibus para a faculdade e caía uma tempestade. Não parou de chover durante todo o percurso.
Quando chegou a hora de descer, além de continuar chovendo, a avenida estava quase alagada e no ponto não havia cobertura, apenas o toldo de uma loja que já estava cheio de gente fugindo da chuva.
O motorista, muito gentil, parou rente a calçada e uma moça que estava na minha frente desceu, ou melhor, caiu do ônibus com a cara no chão. Cair já é ruim, com uma chuva torrencial em cima de você deve ser ainda pior. Nem parei para pensar no assunto passei por cima dela e continuei com a minha vida.
--Mais uma.
Estava voltando da faculdade, sentada confortavelmente no banco de idosos (às 23 da noite eles são raridades nos ônibus, banco de idoso com a presença de idoso no ônibus eu respeito!! ), a seis pontos da minha casa, quando dois rapazes levantaram e caminharam em direção a porta.
O ponto deles estava próximo e ambos estavam conversando, de repente, um deles desmaia e o outro o segura para não cair no chão. Um dos outros rapazes, que estava com eles sentado no fundo do ônibus, vê a situação e corre para a porta e pergunta o que aconteceu, o outro responde que o amigo simplesmente desmaiou.
Eu, ainda estava sentada.
Eles conseguiram acordar o amigo quando o ônibus parou no ponto. E desceram.
A única coisa que eu pensei foi: "espero que o motorista não resolva levar o menino até o hospital, vai demorar meia hora pra passar outro ônibus aqui".
--
É, eu sempre me surpreendo a minha falta de vocação pra Madre Teresa. Mas eu admito isso na frente de quem for. Doações de fim de ano, trocadinhos pra meninos de rua, olhares de piedade não servem pra nada. Ajudar essas pessoas serviria, mas eu só pratico atos de caridade quando me convém. E eu não me sinto mal por isso. Muito pelo contrário, acho que as pessoas não fazem mais que a obrigação quando não estão atrapalhando a vida dos outros. Às vezes, parece que algumas pessoas adoram atrapalhar a vida dos outros. Parar no meio da escada para conversar, ocupar toda a calçada, segurar a fila porque o namorado está vindo, ouvir música alta no celular/ mp3 em qualquer ambiente.
Eu tento, de verdade relativizar, penso comigo mesma, todos têm direito a um dia ruim, um dia de "foda-se você". Mas parece que para alguns seres humanos esses dias nunca passam...
sábado, 29 de maio de 2010
Comida de cobra
"Ah, as cobras sempre precisam de comida..."
Mas, aquele rato que minha irmã ensinou a beber água e depois a não beber água antes da hora certa, não poderia simplesmente se tornar comida de cobra.
Ele havia sido nomeado. Recebido carinho. Não poderia ser mera comida de cobra.
E como acontece com todos aqueles que ganham nome e recebem carinho, ele se tornou membro da família.
Nome: Anjo.
Mas, aquele rato que minha irmã ensinou a beber água e depois a não beber água antes da hora certa, não poderia simplesmente se tornar comida de cobra.
Ele havia sido nomeado. Recebido carinho. Não poderia ser mera comida de cobra.
E como acontece com todos aqueles que ganham nome e recebem carinho, ele se tornou membro da família.
Nome: Anjo.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
No metrô
Faço metodicamente o mesmo caminho todos dos dias para chegar a Fatec: caminho até a praça da Sé, passo a catraca, ando até a escada rolante, viro à esquerda e ando até a antepenúltima entrada do vagão.
Geralmente espero pelo segundo trem, às vezes o metrô para por alguns momentos (problema em alguma estação) e demora um pouco mais. Esse foi um dia desses, o trens estavam parados por causa de algum acontecimento no metrô Vila Mariana, andei até o lugar de costume, antepenúltina faixa azul no chão. Observei que um guarda do metrô que parecia alterado, chegando mais perto, notei que estava parado frente a um senhor que segurava sua identidade e bilhete único.
Achei estranho e me postei logo atrás do senhor, como boa curiosa, tirei o fone de ouvido para ouvir melhor. Teria o senhor insultado o guarda? Tenho por costume ficar do lado de quem atende o público, sei como é ser insultada simplesmente por fazer o seu trabalho.
Não, o senhor não estava gritando, insultando ninguém, estava apenas meio alterado, bêbado talvez, mas inofensivo, acuado. O guarda porém, não parecia tão inofensivo, saí de trás do senhor, porque não queria ser atingida caso ele fosse agredido. No instante seguinte me arrependi.
O trem chegou e me senti a pessoa mais covarde do mundo, recoloquei o fone de ouvido e entrei, disposta a deixar meu silêncio de covardia para trás enquanto o guarda impedia a entrada do senhor no metrô.
Dois rapazes entraram comigo, pararam na minha frente e para a minha surpresa não fui a única indignada com o ocorrido, nem a única hipócrita.
- Quem ele acha que é? Não é nada, só um guardinha de metrô. E acha que pode sair por aí maltratando os outros, e se fosse o pai dele? Será que ele ia gostar de saber que o pai foi maltratado desse jeito?
Geralmente espero pelo segundo trem, às vezes o metrô para por alguns momentos (problema em alguma estação) e demora um pouco mais. Esse foi um dia desses, o trens estavam parados por causa de algum acontecimento no metrô Vila Mariana, andei até o lugar de costume, antepenúltina faixa azul no chão. Observei que um guarda do metrô que parecia alterado, chegando mais perto, notei que estava parado frente a um senhor que segurava sua identidade e bilhete único.
Achei estranho e me postei logo atrás do senhor, como boa curiosa, tirei o fone de ouvido para ouvir melhor. Teria o senhor insultado o guarda? Tenho por costume ficar do lado de quem atende o público, sei como é ser insultada simplesmente por fazer o seu trabalho.
Não, o senhor não estava gritando, insultando ninguém, estava apenas meio alterado, bêbado talvez, mas inofensivo, acuado. O guarda porém, não parecia tão inofensivo, saí de trás do senhor, porque não queria ser atingida caso ele fosse agredido. No instante seguinte me arrependi.
O trem chegou e me senti a pessoa mais covarde do mundo, recoloquei o fone de ouvido e entrei, disposta a deixar meu silêncio de covardia para trás enquanto o guarda impedia a entrada do senhor no metrô.
Dois rapazes entraram comigo, pararam na minha frente e para a minha surpresa não fui a única indignada com o ocorrido, nem a única hipócrita.
- Quem ele acha que é? Não é nada, só um guardinha de metrô. E acha que pode sair por aí maltratando os outros, e se fosse o pai dele? Será que ele ia gostar de saber que o pai foi maltratado desse jeito?
segunda-feira, 1 de março de 2010
Pelo direito de ser oriental!

Pai - Sabe aquele japonês que mora em tal lugar? Vocês já foram na casa dele...
Eu - Não sei de quem você está falando, pai. Mas o que tem ele?
P - Ele foi furado com facas por uns muleques que foram assaltar a casa dele.
E - Furado?? ele morreu?
P - Não, não foi bem furado, eles só estavam enfiando a faca nos braços dele, mas a polícia pegou os assaltantes.
E - Ahhh, isso saiu no jornal não é? Mas disseram que eram coreanos, eu acho.
P - Não, eram japoneses.
E - Deviam matar esses infelizes!
P - Ahh, mas a polícia pegou... E aquela senhora japonesa que mora lá embaixo e levou uma facada?
E - Quem??? Ela foi assaltada também? Morreu??
P - Não, não morreu, mas entraram na casa dela e ela deu uma facada num dos assaltantes, depois voltaram lá e deram uma facada nela.
E - Fazem isso só porque são japoneses, são esses muleques que moram aí embaixo. Lá só tem gente que não presta. Eu contei outro dia dos meninos que estavam falando em assaltar pra conseguir um celular novo? Eles passaram por mim na rua, quando eu voltava da facul...
Irmã politicamente correta - Creedo, que preconceito!!
E - Preconceito?? Levaram a corrente do portão de casa outro dia, no mesmo dia a noite quando eu estava limpando o quintal, dois caras passaram a frente de casa olharam e deram meia volta pra olhar a casa de novo!! Só pra ver se a casa estava aberta!! Com certeza pensaram em assaltar a casa.
Não é a primeira história que escuto desse tipo, não é a primeira do ano nem do mês, mas não consigo deixar de pensar no quanto a minha raça sofre porque trabalha. não tenho um parente que ainda não foi assaltado. Eu já fui assaltada. Corro para a janela cada vez que o cachorro late.
Vi no jornal uma foto desse senhor conhecido do meu pai que foi assaltado, meu conhecido, ensanguentado, idoso. Penso que poderia ter sido meu pai, poderia ser a minha avô.
Penso que preferia morrer a um dia ter que ouvir do meu pai que isso aconteceu com ele.
Penso em deixar de lado toda essa baboseira politicamente correta e comprar uma arma.
Penso em ir até aquele lugar aqui perto, onde todos sabemos que moram essas pessoas. Não são pobres, não passam fome, mas olham para nós na rua como se devessemos a eles alguma coisa.
Desculpas. Desculpas por sermos japoneses. Desculpas por sermos orientais. Desculpas por não termos desistido dos estudos. Desculpas por roubarmos seus lugares no mercado de trabalho, porque eles preferiram o pagode na esquina nas vésperas de prova.
Desculpas por existirmos. Desculpas por não nos deixarmos abater pelo preconceito deles. Desculpas por termos condições de comprar um celular novo para cada um que eles nos tomam.
Desculpem-me por achar que não devo pedir desculpas.
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